domingo, 18 de agosto de 2013

Estação Boba


  Agosto, mês de não se passar nada a não serem festas e idas à praia, tem sido um mês positivo em termos de boas notícias para os Açores. Desce o desemprego, cresce o turismo e continua a ausência do presidente do governo regional. Será caso para dizer, ausência de protagonismo são boas notícias. No entretanto, outros protagonistas se posicionam aproveitando a ausência de liderança, imagem de marca deste executivo regional, todos mandam menos quem deve. Ou pelo menos, assim parece ser para quem está de fora sem estar ciente de todos os factos. Será talvez um problema de imagem, mas a imagem na política normalmente acaba em realidade. O que parece acaba por ser.

  A meio das férias cai uma direção regional sem qualquer reação relevante. Embora tenham sido apontadas razões pessoais para a demissão do Dr. Frederico Cardigos, foi sem dúvida um facto político e esperava-se no mínimo uma reação. A substituição foi imediata como se impunha sem demais explicações e siga a caravana.

  Turismo a crescer nos mercados certos é algo que merece nota muito positiva. Resta refletir sobre porque razão só agora, e qual a sustentabilidade desse crescimento. A bem dos Açores espera-se que continue e que se consiga fechar o ano com números positivos. É uma obrigação depois da catástrofe dos últimos anos. Mas também se tal não acontecer, já sabemos, segue a caravana.
  
  Desce o desemprego muito por causa das medidas de emergência implementadas em momento certo pelo verdadeiro obreiro deste Governo Regional. Goste-se o não, o Dr. Sérgio Ávila tem tido sucesso na grande maioria das suas ações, e numa perspetiva estritamente profissional não se critica quem tem bons resultados. Verdade é também que medidas estruturais não existem, mas aí nada de surpreendente. Não o fizeram na última década, com certeza não o fariam agora com um executivo muito pior liderado e muito mais fraco. De qualquer modo, são bons resultados no curto prazo, o resto é deixar andar a caravana.

André Silveira

terça-feira, 4 de junho de 2013

Não há lulas nos mares dos Açores

  
Resultado da política criminosa do antigo subsecretário das pescas. Neste caso a responsabilidade criminal deveria ser apurada por crimes contra o ambiente. Esperemos que este novo executivo não vá pelo mesmo caminho e que este caso sirva de alerta. Porque até ao momento nada, e relembro o bonito relatório sobre pescas elaborado pelo grupo parlamentar do PS na última legislatura. Caso para perguntar: Estão à espera do quê?

http://www.rtp.pt/acores/index.php?article=32423&visual=3&layout=10&tm=10

domingo, 26 de maio de 2013

Câmaras sem Poupar com Redução da Iluminação

"Câmaras sem poupar com redução da iluminação" AO de Hoje

Infelizmente era absolutamente espectável que tal acontecesse. Nem o GRA nem as Câmaras Municipais dos Açores quiserem implementar reais sistemas de gestão, e redução de consumos em tempo útil. E garanto que foram apresentadas inúmeras soluções técnicas por empresas regionais. No entanto, em tempo de vacas gordas é muito melhor gastar em clubes de futebol e fogo de artifício. Por outro lado a EDA é uma das partes interessadas que mais bloqueou que tal acontecesse, e não um único autarca na região com coragem para fazer frente à EDA. No continente alguns municípios estão a poupar mais de 20% e a devolver os ganhos às freguesias, por cá é o que se sabe. Na Europa e EUA a grande maioria dos municípios estão empenhados na gestão energética quer internamente, quer como medida pedagógica liderando pelo exemplo estes processos. Por cá dinheiro é para betão e para os interesses das grandes construtoras. Impõem-se a responsabilização criminal destes senhores pelo dinheiro que fazem gastar os contribuintes.

http://visao.sapo.pt/camara-de-moncao-entrega-poupanca-com-o-corte-na-iluminacao-publica-as-freguesias=f701871

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/poupanca_esta_colada_nas_tomadas_e_interruptores.html

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Que Nasce Torto




30 dias passados das eleições não está empossada toda a nova equipa governativa.

O PS fez uma campanha eleitoral perfeita - Todas as acções planeadas na perfeição, tempos perfeitos e estratégia exemplar. Conseguiram organizar centenas de pessoas numa mobilização impressionante e que, no fim, esmagou nas urnas.
 Que o partido está vivo e com capacidade mobilizadora não restam dúvidas. No entanto, são essas mesmas as razões que mais motivam a estranheza causada pela dificuldade na formação do governo.

Primeiro, tivemos o adiar da data de apresentação do executivo. Alguém acredita que até ao último dia Vasco Cordeiro esteve a fazer convites? Uma mecânica partidária tão apurada não tinha um governo “em mente” antes até das eleições? Não se percebe.

Depois, tivemos o episódio da eleição do presidente da Assembleia Regional. Nada é oficial, mas bastaram as declarações de Berto Messias à saída da reunião para se perceber que nada foi consensual. Não se percebe como não foi José Contente o eleito. Pode ter sido falta de atenção minha, mas não vi em ocasião alguma José Contente afirmar que teria recusado a candidatura. E, parece-me consensual, que seria a única personalidade com estatuto para ocupar o lugar. Este tipo de decisões, dada a importância, não deveriam estar mais do que definidas previamente?

Por fim, a demora na escolha dos directores regionais. Mais uma vez interrogo-me se num partido recheado de personalidades, e com a mobilização que demonstrou na campanha, é assim um desafio tão laborioso. Só consigo concluir que este “novo” PS Açores é muito melhor a ganhar eleições do que a formar governo. Veremos como será a governar.

André Silveira
Publicado em Jornal Açores 9 



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aspiração da Lagoa das Furnas: Lamas Despejadas na Ribeira Sem Qualquer Tratamento.



 

  Terminou hoje o teste das operações de aspiração de lamas na Lagoa das Furnas que decorreu durante a última semana. As lamas resultantes foram despejadas directamente na ribeira que atravessa a povoação sem serem sujeitas a qualquer tipo de tratamento. Segundo especialistas, esses resíduos apresentam potencial perigosidade para a saúde pública e seria de todo conveniente terem sido sujeitos a tratamento antes de poderem ser depositadas em local apropriado, ou até mesmo podendo ser aproveitados como fertilizante. A opção neste caso foi serem depositadas directamente da unidade de bombagem na ribeira e por consequência no mar junto da Ribeira Quente. 

  A associação ambiental Quercus antes do início das operações levantou sérias dúvidas em relação à eficácia desta solução, bem como em relação à não existência de estudo de impacte ambiental. Recorde-se que a lagoa se encontra dentro da Área de Paisagem Protegida das Furnas.

Segundo os especialistas com quem falei, as lamas apresentam uma série de riscos para a saúde pública. A lama sob o fundo da lagoa encontra-se numa camada atoxica, reduzida e rica em orgânicos. Como tal é não só rica em azoto, carbono e fosfatos, como eventualmente bioacumula todos os metais pesados de descargas termais e de material erodido ao longo dos anos das zonas adjacentes ao lago. Não consegui saber que testes foram feitos a esses resíduos previamente. Antecipadamente recorri ao portal “Na Minha Ilha” com questões acerca desse assunto. Infelizmente o site não fornece comprovativo de envio de registo de ocorrência. No entanto foi enviado o registo por mim antes das operações começarem e outro hoje após a ocorrência. Não obtive qualquer resposta até agora. 

Infelizmente é assim que é tratado um dos ex libris dos Açores e é acautelada a saúde pública das populações que vivem na zona.

André Silveira